Instituto Çarê apresenta exposição sobre o Massacre do Carandiru a partir de arquivos documentais
- Mábia Almeida

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Cartas, objetos e uma réplica de cela fazem parte da mostra, que propõe uma leitura crítica sobre memória, encarceramento e apagamento histórico.

A memória do Massacre do Carandiru e as lacunas deixadas pelo apagamento institucional estão no centro da exposição Memória e Verdade: 33 Anos do Massacre no Carandiru a partir de Acervos Documentais, que entra em suas últimas semanas de visitação no Instituto Çarê, na Vila Leopoldina. A entrada é gratuita e fica em cartaz até 13 de fevereiro.
Como parte da programação, no dia 5 de fevereiro, das 14h às 17h, o Instituto Çarê realiza a roda de conversa Diálogos sobre memória social e direito cultural, com a participação da profa. dra. Inês Gouveia, ampliando o debate sobre políticas de memória, acesso à cultura e direitos culturais no Brasil.
Desenvolvida pelo coletivo Educadores Memórias Carandiru, a exposição integra a segunda edição do Programa de Residência Artística do Instituto Çarê em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da USP - IEB. O projeto parte da pesquisa em arquivos documentais para discutir quem registra a história, como a registra e quais memórias seguem sendo silenciadas no Brasil.
A mostra aborda diretamente o massacre - operação da Polícia Militar enviada para reprimir uma suposta rebelião no Pavilhão 9 que acabou com um saldo de 111 mortos, ocorrido em 2 de outubro de 1992 - e a escassez de documentos institucionais sobre o episódio.
A ausência de registros no acervo é assumida como elemento central da curadoria, evidenciando os mecanismos de apagamento que atravessam a história do sistema prisional brasileiro. Documentos, imagens e objetos acionam memórias individuais e coletivas a partir do ponto de vista de quem viveu o cárcere, em oposição às versões oficiais.
Memória e Verdade: 33 Anos do Massacre no Carandiru a Partir de Acervos Documentais convida o público a olhar para o Carandiru não como capítulo encerrado, mas como ferida histórica aberta.
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